segunda-feira, 17 de setembro de 2012

PALESTRA: A MULHER E SUAS MULTIPLICIDADES
PÚBLICO ALVO: PROFESSORES E COORDENADORES DA EJA DE SAJ/BA
LOCAL: ESCOLA ANTONIO FRAGA
DATA: 15/09/2012



                                                         

























quinta-feira, 13 de setembro de 2012



TEXTOS PARA O ENCONTRO PEDAGÓGICO: "A Mulher e suas multiplicidades"
DIA 15/09/2012
LOCAL: Escola Antonio Fraga - SAJ/BA
HORA: 08:00h
ORGANIZAÇÃO: Equipe Pedagógica da EJA (Jeane Almeida, Maeve Veiga, Mª da Conceição Cerqueira, Maria de Lourdes Silva e Solange Silva)
 


TEXTO 1 – Desigualdade
MULHERES EM DESVANTAGEM
Elas são a metade da população brasileira, ainda assim ganham menos do que os homens.

Dentre os brasileiros que trabalham, as mulheres são quase a metade (42%). E são responsáveis pelo sustento de aproximadamente um terço das famílias no Brasil. Mas também são as mais atingidas pelo desemprego. Entre a demissão de um homem e de uma mulher, geralmente a mulher é a demitida.
As mulheres que trabalham e têm suas carteiras assinadas ocupam cargos ou postos de trabalho mais desqualificados do que os homens e nas funções de menor prestígio social. E, pior, mesmo que ocupem as mesmas funções e com mais instrução, recebem salários menores do que os homens, enfrentam barreiras imensas na hora da contratação, ficam menos tempo num determinado cargo, têm dificuldades para serem promovidas e custam a chegar aos postos de chefia.
Segundo as últimas pesquisas do IBGE, a discriminação contra as mulheres aumenta, se levarmos em conta a raça das pessoas. Dentre todas as mulheres, 44% se consideram negras. Desse contingente, as que são chefes de família estão entre as mais pobres (muitas, inclusive, abaixo da linha da pobreza). A renda dessas famílias chefiadas por mulheres negras chega a ser
74% inferior à renda dos domicílios chefiados por homens brancos. Ou seja, enquanto a família do homem branco ganha 300 reais por mês, a família da mulher negra recebe somente 78 reais.
Na maioria dos casos, as trabalhadoras estão no setor de serviços, sem carteira assinada e, portanto, sem direitos garantidos pelas leis. As mulheres negras estão fortemente no trabalho doméstico, igualmente, não registrado.
Baseado em texto de Antonio Carlos Spis – secretário nacional de
Comunicação da Central Única dos Trabalhadores (CUT). Publicado
em 8 de março de 2004.

Coleção cadernos de EJA
A Mulher e o Trabalho




 
TEXTO 3 - Conquistas trabalhistas

VIDA NOVA AOS 60

Na terceira idade, mulheres procuram emprego que dê estabilidade.

Cansada de vender produtos de casa em casa, ela foi à procura de estabilidade aos 60 anos de idade. Mas, passados os 45, não é fácil encontrar trabalho. Segundo o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos), profissionais na faixa de 25 a 34 anos passam, em média, treze meses desempregados, aos 45 anos ou mais dedicam dezoito meses em busca de uma vaga. Odette Pohl Caneloi, 66, há três anos trabalha em uma loja do supermercado Barateiro, do Grupo Pão de Açúcar. “Sei pelas minhas amigas que o preconceito contra o idoso é grande, acho que tive sorte. Fui muito bem recebida por aqui”, diz ela, que atua como atendente e dá informações para os clientes. “Confesso que me achava improdutiva e fiquei com medo no começo. Mas hoje virei a conselheira da turma e fiz amigos de outras idades, coisa que já não passava mais pela minha cabeça”, comemora.



Trecho adaptado de matéria publicada no Caderno Equilíbrio, Folha
de S. Paulo, em 11/3/2004. Adaptação: Página Viva.

Coleção cadernos de EJA
A Mulher e o Trabalho





 TEXTO 4- Conquistas trabalhistas

NOVOS TEMPOS
Empresas contratam mulheres durante a gravidez

Ao saber que está grávida, a mulher não pode mais ser demitida arbitrariamente ou sem justa causa e tem seus direitos garantidos pela lei desde a confirmação da gravidez até cinco meses após o parto. O salário-maternidade é pago integralmente, pelo empregador – ressarcido em seu imposto de renda – ou diretamente nas agências da Previdência Social. Em qualquer um dos casos, o período de repouso pode ser aumentado em mais quatro semanas – duas antes e duas depois do parto – por razões médicas.
Licença-maternidade, a lei em vigor
Empregada registrada – A lei garante à mulher o direito de não trabalhar quatro semanas antes do parto e oito semanas depois. O salário-maternidade, equivalente ao último valor recebido pela empregada, é pago durante todo esse período de licença.
Empregada doméstica – Possui direitos semelhantes à empregada registrada, com a diferença de ter que ir até uma agência da Previdência Social requerer o salário e a licença. O valor recebido é equivalente ao último salário em que houve contribuição previdenciária.

Mães adotivas – Ao adotar uma criança ou ganhar sua guarda judicialmente, a mulher adquire direitos iguais aos das grávidas. O valor recebido varia de acordo com o vínculo empregatício que essa mãe tem e o tempo de acordo com a idade da
criança adotada. Trabalhadora autônoma ou contribuinte facultativa – Nesses casos de contribuição em períodos alternados, a contribuinte deve pagar a Previdência por dez meses para voltar a ter direito ao salário-maternidade e à licença.
O valor recebido é equivalente à média dos últimos doze salários (em um período máximo de quinze meses).
Parto prematuro – A mulher passa a ter direito à licença e ao salário-maternidade no momento do parto e por mais doze semanas.
Aborto espontâneo ou previsto em lei
– risco de vida para a mãe ou estupro devem ser comprovados por atestado médico e o salário-maternidade é pago por duas semanas, mesmo período em que a mulher pode ficar em repouso.
Licença-paternidade – A licença-paternidade entrou em vigor na Constituição de
1988 e representa, além de um conforto a mais para os pais, um alívio para as mães. Com essa lei, o trabalhador pode ausentar-se de seu emprego por cinco dias, período que não pode ser descontado de seu salário. Essa licença também serve para o pai registrar seu filho.
Texto adaptado de matéria publicada no Caderno Equilíbrio, Folha
de S. Paulo, em 11/3/2004. Adaptação: Página Viva.

O que dizem os pediatras
É importante que a mulher esteja com o bebê até os seis meses, porque o leite materno é recomendado até esta idade, apesar de não haver um período específico para a mãe deixar de amamentar. Há crianças, por exemplo, que mamam até um ano de idade. O leite materno é o alimento ideal para o bebê porque não há risco de contaminação, como existe com a mamadeira. Além disso, o custo é zero, e o bebê pode aproveitar, ainda, o aconchego de contato com a mãe. O leite materno é, com certeza, o melhor alimento para o bebê, e não aquelas mamadeiras de leite de vaca com maisena. O bebê que se alimenta até os seis meses com o leite materno ganha imunidade e terá menos riscos de ficar doente. Quando o bebê deixa de mamar tanto porque a mulher precisa voltar a trabalhar, diminui o estímulo para formação de leite. A mulher que trabalha fora, o tempo todo, perde a oportunidade de dar melhor alimento para o seu bebê, indispensável no começo da vida. A Sociedade de Pediatria está apoiando a ampliação da licença-maternidade por considerar que será um importante ganho para as mães e para seus bebês.

Extraído de matéria publicada no Jornal A Gazeta, Vitória (ES)
*Dr. Ronaldo Edwaldo Martins
Licença-maternidade no mundo
Saiba Mais
Mães ficam mais tempo ao lado dos filhos recém-nascidos


África do Sul: 12 semanas
Alemanha: 14 semanas
Argentina: 90 dias
Canadá: até 18 semanas
Chile: 18 semanas
Cuba: 18 semanas
Estados Unidos: 12 semanas
Itália: 5 meses
Líbano: 40 dias
Portugal: 98 dias
Reino Unido: até 18 semanas
Suécia: até 450 dias


Saiba Mais
A senadora Patrícia Saboya (PSDB – CE) apresentou o projeto da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) no Senado, em agosto de 2005, estendendo para seis meses a licença maternidade. O projeto agora tramita na Comissão de Direitos Humanos da casa e o relator, senador Paulo Paim (PT – RS) já declarou que vai dar parecer favorável.
Uma vez votado na comissão, segue para a Câmara, e, se for aprovado, vai depender de sanção presidencial.
“A aprovação da lei não significa que todas as empresas serão obrigadas a estender a licença maternidade das funcionárias para seis meses. Somente aquelas que quiserem se inscrever no Programa Empresa Cidadã. Como incentivo, vão receber descontos em tributos federais”, explica
Ana Maria Ramos, presidente da SBP.

Arrecadação:
500 MILHÕES: É quanto a União deixaria de arrecadar se todas as empresas aderissem à proposta – em caráter facultativo e mediante incentivos fiscais. Esse é quase o valor gasto com o tratamento de pneumonia de crianças até 1 ano.








 
TEXTO 5 - Discriminação racial

CONCEIÇÃO DAS CRIOULAS
Andreína Afonsina dos Santos
Da Comunidade Conceição
A vocês quero falar
Onde o povo descobriu
Um jeito novo de trabalhar
Fugindo da escravidão
As crioulas aqui chegaram
Fiaram aquele algodão
E seu patrimônio compraram
Não sabiam que assim estavam
Fazendo do seu artesanato
Povo simples de pequena cultura
O ofício que sempre desempenharam
Se antes alguém viu como insignificantes
Vejam agora um povo vitorioso
Que se assumem como negros
Bem felizes e importantes

Conceição das Crioulas
A Comunidade Quilombola de Conceição das Crioulas fica no sertão central pernambucano, a 550 quilômetros de Recife. De acordo com o relato dos seus mais antigos moradores, a comunidade se estabeleceu no início do século 19, por iniciativa de seis negras livres.
Hoje, em parceria com a Universidade Federal de Pernambuco e o Sebrae, seus moradores desenvolvem o Projeto Imaginário Pernambucano: produção de peças artesanais de barro, caroá, palha e imbira, que, além de gerar renda, reafirmam a identidade étnica da população.
A trabalhadora negra
“Na escala da discriminação, a mulher negra ocupa posição ainda pior do que aquela ocupada pela mulher branca e pelo homem negro.”
A somatória das discriminações resultantes do racismo e do machismo atinge em cheio a mulher negra, tornando sua situação particularmente dramática.
O contingente de mulheres negras em atividades domésticas é sempre muito grande em todas as capitais pesquisadas. Em Belo Horizonte, por exemplo, o percentual de negras em emprego doméstico (31%) é mais que o dobro do percentual de brancas (14,2%).
No Distrito Federal, cerca de 45% das negras encontram-se ocupadas em atividades consideradas vulneráveis.
Em Salvador, 36,2% das mulheres brancas concluíram o ensino universitário, contra apenas 10,9% de negras que conseguiram alcançar esse nível de ensino. Na escala da discriminação, a mulher negra ocupa posição ainda pior do que aquela ocupada pela mulher branca e pelo homem negro.
Extraído do Mapa da População Negra no Mercado de Trabalho








 
TEXTO 7 - Direitos trabalhistas

A CARREGADORA DE PEDRAS

Desde que conquistou o direito à jornada dupla de trabalho, a chamada moderna ainda parece estar longe de conseguir desfazer o mal-entendido que provocou a briga pela igualdade profissional com os homens. Não era bem isso o que desejava. Mas, no afã de se liberar de outras opressões, ela acabou partindo para o mercado de trabalho como se ele fosse a solução de todos os problemas financeiros, conjugais, maternais e muitos outros
“ais”. E pagou o preço da precipitação, claro. Agora não adianta chorar sobre o leite derramado – até porque a maior parte das vezes continua sendo ela que vai limpar, ah, ah! Falando sério, todas nós sabemos que há muito a fazer para promover alguns ajustes e atualizações nessa relação de direitos e deveres de homens e mulheres.
Como falar sobre isso ajuda, vamos lá. Em primeiro lugar, a questão do tempo livre. Que não existe, de fato. Aquele ditado “descansa carregando pedras” foi feito para ela. Trabalhando fora ou dentro de casa, a mulher dificilmente se livra da carga das tarefas domésticas, mesmo que não se envolva pessoalmente. Costuma ser dela a responsabilidade pela arregimentação das empregadas, faxineiras, babás, jardineiros, lavadeiras, passadeiras, prestadores de serviço em geral, sem falar no abastecimento da casa. (...)
Depois, com o desaparecimento gradual da parceria patroa/empregada doméstica, homens e mulheres terão, mais cedo do que se pensam, que lidar com a administração do caos doméstico. Sem privilégios. E a primeira providência para esse futuro cor-de-rosa começa com a educação progressista dos filhos, os novos maridos e esposas que contarão com uma boa ajuda de um arsenal de maravilhas eletrônicas – entre elas, a de empregada-robô. Que não enguiça. Porque, se enguiçar, já sabem quem vai mandar consertar. Ou não?

Sonia Biondo é jornalista e escritora. Texto extraído do Jornal do Brasil.





TEXTO 8 - O que é ser mulher

AVISO DA LUA QUE MENSTRUA
Elisa Lucinda


Moço, cuidado com ela!
Há que se ter cautela com esta gente que menstrua...
Imagine uma cachoeira às avessas:
cada ato que faz, o corpo confessa.
Cuidado, moço
às vezes parece erva, parece hera
cuidado com essa gente que gera
essa gente que se metamorfoseia
metade legível, metade sereia.
Barriga cresce, explode humanidades
e ainda volta pro lugar que é o mesmo lugar
mas é outro lugar, aí é que está:
cada palavra dita, antes de dizer, homem, reflita.
Sua boca maldita não sabe que cada palavra é ingrediente
que vai cair no mesmo planeta panela.
Cuidado com cada letra que manda pra ela!
Tá acostumada a viver por dentro,
transforma fato em elemento
a tudo refoga, ferve, frita
ainda sangra tudo no próximo mês.
Cuidado, moço, quando cê pensa que escapou
é que chegou a sua vez!
Porque sou muito sua amiga
é que tô falando na “vera”
conheço cada uma, além de ser uma delas.
Você que saiu da fresta dela
delicada força quando voltar a ela.
Não vá sem ser convidado ou sem os devidos cortejos.
Às vezes pela ponte de um beijo
já se alcança a “cidade secreta”
a Atlântida perdida.
Outras vezes várias metidas e mais se afasta dela.
Cuidado, moço, por você ter uma cobra entre as pernas
cai na condição de ser displicente
diante da própria serpente.
Ela é uma cobra de avental.
Não despreze a meditação doméstica.
É da poeira do cotidiano
que a mulher extrai filosofando
cozinhando, costurando e você chega com a mão no bolso
julgando a arte do almoço: Eca!...
Você que não sabe onde está sua cueca?
Ah, meu cão desejado
tão preocupado em rosnar, ladrar e latir
então esquece de morder devagar
esquece de saber curtir, dividir.
E aí quando quer agredir
chama de vaca e galinha.
São duas dignas vizinhas do mundo daqui!
O que você tem pra falar de vaca?
O que você tem eu vou dizer e não se queixe:
VACA é sua mãe. De leite.
Vaca e galinha...
ora, não ofende. Enaltece, elogia:
comparando rainha com rainha
óvulo, ovo e leite
pensando que está agredindo
que tá falando palavrão imundo.
Tá, não, homem.
Tá citando o princípio do mundo!

Elisa Lucinda é poeta, jornalista e atriz capixaba.
Do livro O Semelhante, Editora Record, 1998








TEXTO 9 - Trabalho no campo
MULHERES DA TERRA
ENSAIO Xandra Stefanel

Este ensaio fotográfico com mulheres do Acampamento Terra sem Males, do MST, foi feito dutante a gravação do documentário Mulheres da Terra – da Lona ao Concreto, que retrata de maneira poética a vida daquelas que, ao lado dos homens, lutam pela tão sonhada reforma agrária.
O objetivo do vídeo-documentário é mostrar que as mulheres do Movimento desempenham os mesmos papéis que os homens: trabalham na roça, cuidam do barraco, dos filhos e participam das decisões do MST. Sob esse prisma, acampadas e assentadas contam seus sonhos e histórias que comovem e mostram como é difícil morar debaixo de lonas para conquistar um pedaço de chão para seus filhos. O ensaio e o documentário foram produzidos em Cajamar e Sumaré (São Paulo), de março a setembro de 2003.

Xandra Stefanel é jornalista e locutora.
Publicado na revista Caros Amigos.

TEXTO 10 - Conquistas femininas
A ARTE DA GUERRA PARA MULHERES
Chin-Ning Chu

Por mais que os homens pensem no quanto sabem a respeito das mulheres, só uma mulher sabe como é difícil ser mulher. Além da complexidade de nossa compleição física e emocional, como trabalhadoras, somos também provedoras que exercem múltiplos papéis na família: esposa, mãe, cozinheira, faxineira, gerenciadora de crises, contadora, professora, lavadeira, jardineira, motorista, enfermeira, psiquiatra, médica, lavadora de louças e coletora de lixo.
Para competir nesse mundo dominado por homens, nós, mulheres, sempre tivemos de ser duplamente boas em nossas tarefas e ver homens com a mesma competência que nós receberem salários três vezes mais altos.
Depois da batalha dos sexos travada no século anterior, as mulheres estão mais seguras do que nunca em seu eu feminino.
Recentemente eu estava em Sydney, na Austrália, e tive a atenção despertada por um anúncio que dizia: “Antes, eu queria me casar com um milionário. Agora, quero ser milionária”. Esta não é uma atitude expressa apenas na Austrália e nos Estados Unidos; tornou-se um fenômeno internacional – uma corrente de feminilidade universal que atravessa e ultrapassa culturas e fronteiras internacionais.
A escritora Chin-Ning Chu nasceu na China, mas vive desde 1969
nos Estados Unidos. Trecho do livro A Arte da Guerra para
Mulheres, tradução de Venuza Capilo.






 

TEXTO 12 - Trabalho e família
DUPLA JORNADA
Estudo mostra que administrar o tempo hoje é a maior preocupação da mulher

O dilema feminino deixou de ser a clássica escolha entre dedicação à carreira ou à família. O objetivo agora é encontrar a fórmula de se organizar para dar conta, e bem, das duas funções. Esse é o resultado de uma pesquisa realizada pela SEC, Secretary Search & Traininig, empresa especializada no recrutamento de profissionais de secretariado, com 270 executivas e secretárias de todo o país.
Realizada via Internet, durante o mês de fevereiro de 2002, a pesquisa mostrou que 71% das entrevistadas tentariam organizar melhor o seu tempo se a vida pessoal interferisse e causasse prejuízos à sua ascensão profissional; 19% se preocupariam somente com a carreira; e apenas 1% jogaria tudo para o alto e apostaria na família, casamento e filhos. Nove por cento não saberiam o que fazer ou buscariam outras soluções.
A pesquisa mostrou também que 59% das mulheres acreditam ter possibilidade de administrar quase sempre as jornadas de trabalho na empresa e em casa, enquanto 35% afirmam conseguir sempre. Somente 2,5% admitem não conseguir. A maior parte das entrevistadas, 67%, diz receber em todas as ocasiões o apoio de sua família (marido, filhos, pais), estimulando novas conquistas profissionais.
E os filhos? – A última pergunta propõe uma opção com apelo emocional; entre ir à tradicional apresentação de final de ano do filho na escola e comparecer a uma reunião na empresa, 71% responderam que iriam à reunião, 23% iriam à apresentação e 6% não responderam. “Não há como recuar diante das imposições que o mercado de trabalho apresenta e das exigências que a própria carreira tem estabelecido à mulher executiva nestas últimas décadas”, diz a headhunter Stefi Maerker, coordenadora da pesquisa. “Os resultados apresentados pela nossa enquete demonstram que as mulheres chegaram a um ponto em que precisam mudar rotinas e se adaptar àqueles que convivem ao seu lado se não quiserem abrir mão de suas conquistas.” [...]
Para Stefi, na nova estrutura, a mãe não pode ser a única responsável pelas tarefas familiares. “Sem a divisão de responsabilidades, a mulher não consegue trabalhar.”




TEXTO 14 - Competição profissional

CUIDADO: MULHERES TRABALHANDO
Renato Pompeu
Pesquisa conclui que é mais difícil trabalhar com elas
As mulheres sempre trabalharam, em casa, na agropecuária e nas fábricas – mas foi só no último século que elas entraram para valer nas profissões que exigem formação intelectualizada, até então domínio exclusivo dos homens. Essa situação gerou, no campo da realidade concreta, movimentos pelo direito das mulheres ao voto nas eleições, pela igualdade nos salários (a função igual deveria corresponder a salário igual) e pela liberação da mulher adulta em relação ao pai, da mulher casada em relação ao marido, com o estabelecimento da igualdade no direito de família, já consagrada em grande parte dos países. As mulheres, com o precioso auxílio dos anticoncepcionais, alcançaram também uma liberdade sexual nunca vista. Em suma, essa situação gerou, na realidade concreta, diferentes ondas de movimentos feministas.
Em praticamente todos os campos os movimentos feministas foram sendo vitoriosos, a maioria da mão-de-obra, particularmente da mão-de-obra intelectualizada, é hoje feminina. Elas, porém, ainda não são representadas na proporção adequada nos quadros de chefia e, embora seja crescente, ainda não é grande a presença de mulheres em cargos políticos, e, mais ainda, em cargos militares. Mas, principalmente, o campo em que as mulheres estão menos avançadas é o da igualdade salarial. Em todos os países e em todas as profissões as mulheres na mesma função ganham menos do que os homens.
Essa situação é atribuída por muitas mulheres ao preconceito contra sua suposta menor assiduidade por causa da menstruação, da gravidez, da amamentação e outras características femininas. Mas na verdade a desigualdade do salário entre os gêneros tem origens materiais e históricas. Durante milênios o homem foi considerado o responsável pelo sustento da mulher e filhos. Então, o salário a ele atribuído era o necessário para sustentar, não apenas a si próprio, mas também à mulher e os filhos. Se alguma mulher se candidatasse a um emprego, se supunha que ela já tinha um pai ou marido que garantia a sua sobrevivência básica e que assim ela só necessitaria de uma renda suplementar para outras despesas que quisesse fazer. Isso se mantém até hoje: quando a mulher procura um emprego, se supõe que já haja homens na sua família trabalhando e garantindo a renda familiar e que ela precise apenas de um complemento. A
prova de que este raciocínio é correto está na aceitação, por parte da mulher, de um salário menor do que o atribuído ao homem na mesma função, salário que o homem não aceita e que, portanto, a mulher também poderia não aceitar. Mas ela aceita o salário menor exatamente porque a situação pressuposta de fato reflete uma situação concreta que, se já foi mais real no passado, continua a ser real no presente: a mulher de fato, na maioria dos casos, precisa de uma renda menor do que a do homem, ainda considerado como esteio da família. Mas há quem diga que a carga emotiva feminina tanto pode ser positiva como negativa: tanto pode gerar uma competitividade destrutiva maior do que entre os homens como pode gerar colaboração construtiva em grau maior, também, do que entre os homens. É preciso levar em conta essas diferenças para as mulheres, como os homens, se darem melhor em seus trabalhos.
No livro In the Company of Women: Turning Workplace Conflict into Powerful Alliances (Na Companhia Das Mulheres: Transformando Conflitos No Trabalho Em Alianças Poderosas) as autoras Pat Heim e Susan Murphy sugerem que as mulheres cultivam o hábito de torturar umas às outras no ambiente de trabalho. Para chegar a essa conclusão, elas pesquisaram a rotina de cem das maiores multinacionais dos Estados Unidos e entrevistaram mais de mil homens e mulheres. Concluíram que as mulheres são menos transparentes e mais ardilosas que os homens, e não suportam ver o sucesso de uma colega de equipe. Dizem ainda que as mulheres não estão satisfeitas com alguma coisa, têm mais dificuldades que os homens de dizer às claras o que as está incomodando e acabam apelando para táticas ou subterfúgios obscuros. Ficam maquiando, articulando, jogando verde e agredindo indiretamente. São artifícios tipicamente femininos.



TEXTO 16 - Feminino x masculino

AFINAL, O QUE FAZ UM “PRIMEIRO-DAMO”?

Imagine a cena: um presidente eleito pelo povo concede uma entrevista coletiva. Chega pronto para falar dos planos de governo, mas uma das primeiras perguntas foge completamente do assunto.
– Presidente, como o senhor pretende governar sem ter um amor a seu lado? Parece improvável, não é? Mas, em se tratando de uma presidenta separada, os limites entre público e privado são outros. Tanto que a presidenta eleita do Chile, Michelle Bachelet, ouviu exatamente essa pergunta. E saiu-se bem:
– Espero que você faça a mesma pergunta aos meus ministros solteiros. Para a deputada federal Yeda Crusius (PSDB), essa possibilidade é remota:
– O homem não é inquirido, porque normalmente ele é casado, e se tem um ou mais amores, isso é muito aceito (risos). A mulher é mais transparente: casa se quer, não casa se não quer.
A vida amorosa das casadas também atiça a curiosidade. Quando era ministra do Planejamento, em 1993, Yeda surpreendeu-se com o interesse em saber como era seu marido, o economista Carlos Crusius. No dia da posse, ciente de que onde ia os jornalistas o seguiam, ele brincou com um amigo:
– Nasci para primeiro-damo.
No outro dia, a expressão estava cunhada nos jornais. Na ficção, a situação gerou uma divertida saia-justa: no seriado Commander in Chief (exibido no Brasil pelo canal pago Sony), o marido da presidenta americana Mackenzie Allen (personagem encarnada por Geena Davis) levou um choque quando conheceu seu gabinete, todo rosa e feminino.
Mas a discussão vai além dos comentários bem-humorados e da ficção. No Chile, debateu-se seriamente como ficaria o cerimonial de eventos oficiais, já que a presidenta é separada. Quando o marido existe também se pergunta: afinal, o que faz um “primeiro-damo”? No caso dos maridos das chefes de Estado hoje, o estritamente necessário. Limitam-se a acompanhar as mulheres em solenidades e algumas viagens e seguem com sua rotina de trabalho normalmente.
– Quem sabe esse não é o primeiro passo para libertar as primeiras-damas, para que elas possam manter seu trabalho, seguir suas vidas? – especula a deputada federal Maria do Rosário (PT). Quando os papéis se invertem na política, não é o marido que causa constrangimentos.
Em casa, Maria do Rosário conta com o apoio do marido para cuidar da filha,
Maria Laura, 6 anos, quando está em Brasília. Nas ruas, quem se aproxima são os simpatizantes. Machismo mesmo só enfrentou dos próprios colegas, geralmente numa atitude exageradamente protetora.
– Muitas vezes, quando colegas querem discordar de mim, dizem “Mariazinha...”. Não é preciso falar no diminutivo com as mulheres – diz Maria do Rosário, que não descarta a hipótese de disputar a prefeitura da Capital em 2008. – Queremos respeito e gentileza, mas também ser tratadas como iguais.
Adaptado de texto publicado pelo Jornal Zero Hora, Porto Alegre (RS).
Caderno Donna, 5 de março de 2006. Adaptação: Página Viva.





 
TEXTO 18 - Conquistas trabalhistas

SALÁRIOS MAIS EQUIPARADOS COM OS DOS HOMENS
Renato Pompeu

Mulher está assumindo liderança no mercado de trabalho
A diferença a mais da média salarial nos homens do Brasil, em relação à das mulheres, tem diminuído cada vez mais rapidamente nas últimas décadas.
A vantagem masculina no País era de 50% nos anos 1990, mas em março de 2006 o Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher lançou o relatório “O Progresso das Mulheres no Brasil”, segundo o qual a diferença se tinha reduzido para 30%. Além disso, já faz alguns anos que as mulheres constituem a maioria dos alunos e dos formados nos cursos de todos os níveis no País, fundamental, secundário e superior. No ensino superior, os homens só têm constituído maioria nos ramos de Exatas, mas mesmo assim é crescente o número de mulheres nessas disciplinas. De acordo com o IBGE, 28% dos domicílios são chefiados por mulheres.


TEXTO 20 – Desigualdade

RENDIMENTOS DESIGUAIS

Mulheres ganham, em média, 60% do que recebem os homens, pela mesma tarefa.
Em 1996, o rendimento médio das mulheres brasileiras, de 585 reais correspondia a 60% do obtido pelos homens que era de 995 reais. Apesar da recuperação observada após a contenção da inflação, ainda não foi alcançado o valor real de 1989, quando era apenas 30% inferior.
Se for considerado o rendimento por hora trabalhada, esse diferencial também persiste. Em 1996, as mulheres recebiam, em média, 3,50 reais por hora e os homens, 5 reais. Isso demonstra que o menor patamar de remuneração verificado para elas não pode ser atribuído apenas, como se poderia supor, a uma jornada menor de trabalho (39 horas para mulheres e 46 horas semanais para homens). As diferenças de rendimentos entre homens e mulheres verificam-se em todos os setores de atividade econômica, por posição na ocupação e, inclusive, em grupos de ocupações semelhantes.






TEXTO 21- Trabalho doméstico

HOMENAGEM A QUEM FAZ
Ana Miranda

A escritora lembra, minuciosa, cada pessoa que a homenageia com seu trabalho
Benditos sejam os que fazem os trabalhos do cotidiano, o que seria de mim se não tivesse o padeiro que assa o meu pão e o caminhoneiro que traz o meu leite até o mercado, e o gari que varreu a rua na frente da minha casa e o ciclista que traz o meu jornal, o que seria de mim sem a minha faxineira e o lavador de meu carro, e o japonês que cultivou as orquídeas da minha varanda, o que seria de mim sem o marceneiro que fabricou esta mesa, o operário que girou os parafusos da minha geladeira, o carteiro que traz as minhas cartas, o balconista da loja de informática onde comprei esta tela, e a minha manicure e o sapateiro da esquina que trocou a sola de meu sapato de estimação, o que teria sido de mim sem a minha Irene, dona Irene acordava antes de todo mundo em casa, vestia seu uniforme e avental, prendia os cabelos, pendurava seus brincos de pingentes, passava batom, pintava as sobrancelhas com lápis e ia para a cozinha, tomava seu cafezinho, preparava o café da manhã, punha a mesa, ia buscar o jornal no portão, dava comida aos cachorros, varria as varandas, parava a olhar uma florzinha, aguava as plantas e gramados, sempre cantando, rindo, arrumava a casa varria limpava arrumava as camas, ia para a cozinha, cantando, cozinhava, uma comida caseira dos deuses, se eu estava fechada no escritório escrevendo e pensava Ah que vontade de tomar um café, chegava nesse instante a Irene com um café fresco, cantando, rindo, à uma e meia ela me chamava para um almoço dos deuses, depois Irene lavava a louça, sempre alegre, enxugava e guardava, limpava a cozinha, lavava roupa a maioria a mão, e passava a ferro, as camisas engomadinhas, guardava as roupas, preparava um lanche, engraxava os sapatos, pregava os botões, depois fazia um jantar dos deuses, lavava a louça enxugava guardava, cantava cantava, pano de chão na cozinha, vidros limpos, um trabalho incessante, valioso, precioso, cada dia uma empreitada, uma ordenação profunda do mundo, da sociedade, um trabalho generoso, que me deu asas até a delicadeza dos confins, me libertava deste mundo para ir em busca de outros, me libertava do tempo e do espaço, de todo um emaranhado de vestígios da minha memória, e minhas lágrimas não eram de cebola, mas nessa liberdade eu deixava de viver algumas das coisas mais harmoniosas e calmantes da vida, como por exemplo lavar folhas de alface em água  fria, no verão, ou derramar vinho no corpo de um peru para a ceia de Natal.

Publicado na revista Caros Amigos.









TEXTO 22 - História do trabalho feminino
MULHERES E TRABALHO NA HISTÓRIA DO BRASIL
Mary del Priore

Um mercado feminino nas Minas Gerais
(...) A presença feminina foi sempre destacada no exercício do pequeno comércio em vilas e cidades do Brasil Colonial. Desde os primeiros tempos, em lugares como Salvador, Rio de Janeiro e São Paulo, estabeleceu-se uma divisão de trabalho assentada em critérios sexuais, em que o comércio ambulante representava uma ocupação preponderantemente feminina. A quase exclusiva presença de mulheres num mercado onde se consumiam gêneros a varejo, produzidos muitas vezes na própria região colonial, resultou da convergência de duas referências culturais determinantes no Brasil. A primeira delas está relacionada à influência africana, uma vez que nessas sociedades tradicionais as mulheres desempenhavam tarefas de alimentação e distribuição de gêneros de primeira necessidade. O segundo tipo de influência deriva da transposição para o mundo colonial da divisão de papéis sexuais vigentes em Portugal, onde a legislação amparava de maneira incisiva a participação feminina. Às mulheres era reservado o comércio de “doces, bolos, frutos, melaço, hortaliças, queijos, leite, marisco, alho, polvilhos, hóstias, agulhas, alfinetes, roupas usadas. Dessa forma, conjugam-se dois padrões que irão atuar na definição do lugar das mulheres no Brasil. Pintores como o bávaro Rugendas e o francês Debret captaram em vários de seus desenhos e aquarelas nas viagens pelo Brasil da primeira metade do século 19 a presença das negras em torno de vendas, em atividades ambulantes ou sob tendas onde vendiam gêneros de consumo. Seus pequenos utensílios, a presença das crianças, formas de convívio, modalidades de produtos estariam evidenciadas nessa iconografia da vida urbana de algumas cidades brasileiras desse tempo.
As vendas se multiplicariam indiscriminadamente pelo território. Estabelecimentos comerciais dotados de grande mobilidade faziam chegar às populações trabalhadoras das vilas e das áreas de mineração aquilo que importava ao seu consumo imediato: toda sorte de secos (tecidos, artigos de armarinho, instrumentos de trabalho) e molhados (bebidas e comestíveis em geral). As vendas eram quase sempre o lar de mulheres alforriadas ou escravas que nelas trabalhavam no trato com o público. O destaque da presença feminina no comércio concentrava-se nas mulheres que eram chamadas de “negras de tabuleiro”. Elas infernizaram autoridades de aquém e de além-mar. Todos os rios de tinta despejados na legislação persecutória e punitiva não foram capazes de diminuir seu ânimo em Minas Gerais e pelo Brasil afora. “Negras de tabuleiro” foi a designação que acompanhou pelo Brasil colonial aquelas mulheres dedicadas ao comércio ambulante.
Se aqui e ali há registros de que incomodavam as autoridades, seja porque fugiam com facilidades às medidas fiscalizadoras, seja porque sua conduta moral desagradava, foi nas Minas do século 18 que sua atuação alcançou dimensões mais graves. (...) Este expressivo espaço da participação feminina representou enormes inconvenientes diante dos poderes ordenadores da capitania. Sua mobilidade e a rapidez com que se multiplicavam como opção de vida (uma vez que se exigiam para o negócio pouco capital e alguma coragem) ameaçavam comprometer consideravelmente os rendimentos da faina esperados pela fazenda real e pelos proprietários de minas.
(...) A prostituição parece ter sido adotada como prática complementar ao comércio ambulante. No entanto, constituía atributo das escravas, empurradas muitas vezes a esse caminho pelos seus proprietários. Um dos casos que se conhece aparece na denúncia feita pelo visitador episcopal contra Catarina de Sousa, preta alforriada, acusada de obrigar com castigo a suas escravas (...) que lhe deem jornal todos os dias de serviço e domingos e dias santos dobrado jornal (...). Se a prática do uso do sistema de jornais (o escravo dispunha de relativa autonomia para angariar rendimentos a serem pagos ao seu senhor) regulando as relações entre senhores e escravas pode sugerir uma situação mais amena, em se tratando das mulheres escravas elas suportariam uma dupla exploração: sexual e econômica. A escravidão revelaria então uma de suas faces mais perversas.

Extraído e adaptado do livro História das Mulheres no Brasil,
Editora Contexto, São Paulo, 2000.


TEXTO 23 - Mulheres famosas

A LIFE FOR CHARITY

If we really want to love we must learn how to forgive. (words by Mother Teresa)
She was born Agnes Gonxha Bojaxhiu in 1910 in Skopie, Yugoslavia. Since her father was a coowner of a construction firm, her family lived comfortably while she was growing up. In 1928 she suddenly decided to become a nun and traveled to Dublin, Ireland, to join the Sisters of Loreto, a religious order founded in the 17th century. After studying at the convent for less than a year, she left to join the Loreto convent in the city of Darjeeling in northeast India. On May 24th, 1931, she took the name of Teresa in honor of St. Teresa of Lisieux.
Mother Teresa is among the most well-known and highly respected women in the world in the latter half of the 20th century. In 1948 she founded a religious order of nuns in Calcutta, India, called the Missionaries of Charity. Through this order, she dedicated her life to helping the poor, the sick, and the dying around the world, particularly those in India. Her selfless work with the needy brought her much acclaim and many awards, including the Nobel Peace Prize in 1979.
Mother Teresa died of a heart attack on September 5th, 1997.

GLOSSARY

Among. entre.
Co-owner. segundo dono / sócio.
Dying. moribundo.
Highly. altamente.
Latter. último, mais recente.
Needy. necessitado.
Nun. freira.
Selfless. generoso, não egoísta.
Sick. doente.
Suddenly. de repente.
Well-known. conhecido.







TEXTO 24 - O que é ser mulher

“ELLAS”
Nancy Slupsky

Nadie sabe cómo hacen con el tempo trabajan y trabajan lavan planchan cosen barren limpian cocinan bañan peinan sacan piojos hacen camas buscan precios amasan educan llevan los chicos a la escuela van al trueque, buscan los chicos de la escuela, compran amasan cocinan lavan planchan y trabajan y trabajan el día se convierte en noche sin parar de trabajar.
Ellas sueñan con otro mundo para sus hijos sueñan algo mejor mucho mejor sueñan para ellos y con ellos
No se quedan… saben que el hambre no tiene espera y salen tímidamente porque creen que no saben que no pueden que no deben con miedo porque presienten que si les pasa algo nadie va a poder hacer todo lo que hacen ellas Ellas con los sueños escondidos
Ellas con las ganas apretadas con los permisos contados con las prisiones de los mandatos
Les han dicho que en la casa es donde deben estar pero nadie les ha regalado nada como para seguir aguardando ahí sentadas
Mientras las panzas de sus hijos aúllan de hambre los sueños están
Pero hay que escarbarlos detrás de tanto cotidiano
Primero el ahora el ahora urgente el ahora presente y por eso salen porque sus hijos les ponen alas
Motores sus hijos impulsan las pocas fuerzas que el escasso alimento les socava.
Pero esas fuerzas se juntan un sueño despierta al otro.
Salen a la calle a reclamar a decir presente a marcar que no son fantasmas ni cifras ni seres perdidos en lugares perdidos a descubrir que valen y a aprender a gritarlo a mostrar que la dignidad es una actitud de vida
Y salen
Y se juntan y se juntan en los barrios en las calles en las rutas.
Y construyen… esos sueños que tanto sueñan para ellas
Y para sus hijos.
Nancy Slupsky es poeta y activista argentina.




 
 

TEXTO 25 - Conquistas femininas

UM POUCO DA HISTÓRIA DO DIA INTERNACIONAL DA MULHER
Renato Pompeu
O Dia Internacional da Mulher, comemorado desde o início do século XX, é uma data que remete a todo um período de lutas por melhores condições de trabalho, diminuição da jornada de trabalho, principalmente das trabalhadoras americanas, pelo direito à educação e ao voto feminino. As trabalhadoras americanas vinham comemorando um Dia da Mulher para marcar um calendário de lutas. Em 1911, em Nova York, dezoito dias depois do Dia da Mulher, em março, houve um grande incêndio numa conhecida indústria têxtil, a Triangle Schirwaist Company, cujo patrão, como era comum fazer à época, trancou a porta de saída à chave, o que num andar alto e num ambiente sem ventilação e com materiais inflamáveis, tornou-se fatal. Quando os bombeiros chegaram 147 operárias já haviam morrido. Após essa tragédia a solidariedade entre as trabalhadoras estreitou-se e suas lutas deram origem às primeiras leis de proteção à vida e aos direitos das trabalhadoras.
Mas, já em 1910, Clara Zetkin, socialista alemã, propôs que o Dia da Mulher se tornasse “uma jornada especial, uma comemoração anual de mulheres, seguindo o exemplo das companheiras americanas”. Sugeria ainda que o tema principal fosse a conquista do direito ao voto. Surge, então, o Dia Internacional da Mulher. A partir daí, as operárias europeias e russas assumiram essa data que, em 1914, foi comemorada no dia 8 de março. Consolidando essa data, em 1917, no dia 23/02 no calendário gregoriano (ou 8 de março) as operárias russas desencadearam uma greve geral, cujas manifestações precipitaram a Revolução Russa.
Depois das grandes guerras, na década de 1960, os movimentos de libertação das mulheres em todo o mundo retomaram essas comemorações. No Brasil, em plena ditadura, a partir dos anos 1970 o movimento de mulheres ressurge colado às lutas pela democracia e em 1975, quando a ONU organizou uma Conferência Mundial de Mulheres, o movimento de mulheres retoma as lutas coletivas mais abertamente.

Calendário oficial

Em reconhecimento dessas lutas, o dia 8 de março foi instituído pela ONU, em 1977, como Dia Internacional da Mulher o que nos dá a oportunidade de fazer um balanço dos progressos e conquistas a respeito do lugar ocupado pelas mulheres e dos obstáculos à sua cidadania e levar o conjunto da sociedade e dos governos a refletirem sobre as formas de enfrentar as desigualdades de gênero, ou seja, entre homens e mulheres, em diversas áreas, e elaborarem políticas públicas anti-discriminatórias, além de promover ações para a conquista da cidadania plena das mulheres, melhorando a qualidade de vida de todas e todos e construindo uma sociedade mais justa.






TEXTO 26 – Desigualdade

FAZEM MAIS E GANHAM MENOS
A situação das mulheres em mercados metropolitanos

A conquista do espaço feminino no mercado de trabalho fez com que as mulheres hoje representem uma parcela superior a 45% da população economicamente ativa em cada uma das regiões pesquisadas. Embora uma parte significativa dos trabalhadores de ambos os sexos tenham baixo nível de escolaridade, as mulheres têm um perfil educacional mais elevado que a parcela masculina e a proporção daquelas que concluíram o 2o grau ou alcançaram o ensino superior é maior que a verificada entre os homens.
A presença da mulher no mercado de trabalho reproduz o padrão de incorporação que se registra entre os homens. A mais intensa participação ocorre na faixa etária entre 25 e 39 anos, quando percentuais que viriam entre 65% e 78% das mulheres estão ocupadas ou mostram disponibilidade para trabalhar. Essa participação demonstra que os papéis de mãe e de principal responsável pelos afazeres domésticos não têm sido impedimento para parcela significativa das mulheres, ainda que seja necessário desdobrar-se para conciliar ambas as atividades.
Dificuldades iguais Homens e mulheres enfrentam, atualmente, dificuldades para obter uma ocupação, tanto que as taxas de desemprego são elevadas para ambos. No entanto, embora ainda estejam em menor quantidade no mercado de trabalho, as taxas de desemprego feminino são sempre superiores às registradas para os homens. Assim, enquanto entre as mulheres as taxas de desemprego ultrapassam o patamar de 18,2%, para os homens esse percentual cai para 12,3%. As peculiaridades de cada região determinam grandes diferenças entre o nível de desemprego de homens e mulheres: a taxa de desemprego feminino chega a ser 48% superior à registrada entre os homens e, mesmo onde essa diferença se reduz, ainda é de 21% Ao se combinar sexo e idade, verifica-se que as maiores dificuldades para obtenção de um emprego ocorrem para as mulheres jovens. Mais de 30% destas mulheres, com idade entre 16 e 24 anos, em todas as regiões analisadas, encontram-se desempregadas. Entre os rapazes na mesma faixa etária o patamar reduz-se para 22,4%. No entanto, a mais intensa presença de homens e mulheres com idade entre 25 e 39 anos na força de trabalho faz com que sejam maiores os diferenciais entre as taxas de desemprego de ambos os sexos para essa faixa etária, justamente a mais produtiva.
Maior nível de escolaridade costuma ser um fator que aumenta a possibilidade de obter um trabalho, tanto que as taxas de desemprego tendem a diminuir para homens e mulheres que têm mais anos de estudo. No caso das mulheres, porém, a importância desse fator precisa ser relativizada, uma vez que o maior grau de instrução do sexo feminino – as mulheres, em todo o país, tendem a estudar mais que os homens – não implica menor taxa de desemprego que para os homens. Dessa forma, as taxas de desemprego para as mulheres com nível universitário são, no mínimo, 30% superiores às dos homens com esse nível de instrução.
O mercado de trabalho, aparentemente, define determinadas funções como mais femininas. Assim, os postos de trabalho ocupados pelas mulheres estão, em grande parte, relacionados às atividades antes desempenhadas no interior do domicílio, tais como serviços pessoais, educação, alimentação e saúde, que, juntos, ocupam mais de 22% do total das mulheres que trabalham nas diversas regiões metropolitanas estudadas. Além disso, entre 16% e 21% do total das ocupadas nessas regiões estão diretamente ligadas aos serviços domésticos, como empregadas mensalistas e diaristas.
Terra dos homens
Os empregos na indústria e na construção civil são essencialmente masculinos, sendo insignificante o percentual das vagas ocupadas pelas mulheres, em particular, neste último setor. No setor industrial, a presença feminina é bem menor que a masculina e apenas no ramo têxtil – onde a presença da mulher é, historicamente, significativa – há relativamente mais mulheres que homens trabalhando. A participação da mulher no setor industrial, porém, cresce e se diversifica na medida em que a indústria tem mais peso econômico para a região. Nesse caso, há inclusive redução das diferenças entre os gêneros.
A absorção de trabalhadores de ambos os sexos é bem mais equilibrada no comércio. A proporção de mulheres ocupadas neste setor é, em geral, levemente menor que as respectivas parcelas observadas entre os homens, diminuindo essas diferenças naquelas regiões onde esse setor tem maior peso relativo.
No que se refere à forma de relação de trabalho, as mulheres, da mesma forma que os homens, trabalham, em sua maioria, como assalariadas. A proporção, porém, é menor. Apenas o emprego doméstico é uma forma de relação de trabalho preenchida quase exclusivamente por mulheres. Só na região metropolitana de Recife o percentual de mulheres que trabalham no serviço doméstico é inferior ao de autônomas, em geral a segunda forma de relação de trabalho mais encontrada nas diferentes regiões metropolitanas, quando não se leva em consideração o sexo. Entre as mulheres também é relevante – ao menos em parte das regiões pesquisadas – a participação do trabalho não remunerado em negócio de parentes.
A atuação como empregadora, porém, é uma alternativa bastante restrita para as mulheres. O detalhamento das formas de contratação do trabalho assalariado mostra que a concentração pelo setor público é muito mais importante entre as mulheres que entre os homens, embora o setor privado seja o principal empregador para ambos os sexos. A contratação com carteira assinada representa a maior parcela dos assalariados de ambos os sexos nas empresas privadas, ainda que exista uma proporção não desprezível de homens e mulheres contratados sem carteira, e portanto sem as garantias trabalhistas mínimas contempladas pela CLT. Essa forma de desproteção afeta mais relativamente o trabalhador assalariado do sexo masculino. Um outro aspecto importante, que evidencia as desigualdades entre gêneros, são as ocupações exercidas como assalariados por ambos os sexos. As mulheres e os homens assalariados exercem ocupações com diferentes níveis de qualificação e hierarquia, e a maior parte desses ocupados está em funções semiqualificadas na execução, isto é, são trabalhadores diretamente vinculados a atividades-fim da empresa, mas que exercem funções repetitivas e de pouca complexidade.
As diferenças entre os gêneros se manifestam quando se levam em consideração os diversos subgrupos de ocupações. Entre as mulheres, o peso das ocupações qualificadas na execução das atividades de escritório e serviços gerais, nas áreas de apoio, e das atividades de planejamento e organização, dentre as funções de direção e planejamento, é maior que entre os homens. Para estes são relativamente mais reservadas ocupações de direção e gerência, ocupações de execução semiqualificadas e não qualificadas, bem como atividades de apoio classificadas como não operacionais. Essas diferenças evidenciam que, se de um lado as mulheres assalariadas têm tido acesso a postos de trabalho mais qualificados, ainda têm menores possibilidades de ocupar posições hierarquicamente superiores (direção e gerência), situação que também é refletida na sua pouca expressão como empregadora.
As jornadas médias de trabalho, embora altas, são bem menores que as executadas pelos homens, tanto para o total de ocupados como entre os assalariados. Entre estes últimos, porém, as distâncias entre o tempo de trabalho de homens e mulheres tendem a diminuir. As jornadas médias de trabalho das mulheres, em todas as regiões, estão próximas a quarenta horas semanais e cerca de 30% das ocupadas e de 20% a 32% das assalariadas trabalham mais que 44 horas por semana.


MAIS POR MENOS
O rendimento médio das trabalhadoras é, em todas as regiões analisadas, menor que o dos homens, quer atuem como ocupadas, quer como assalariadas. Esse dado resulta das diferenças nas características dos postos de trabalho ocupados por ambos os sexos e de possíveis discriminações de gênero na hora da fixação dos rendimentos.
Além de diferenças entre o desemprego, a ocupação e os rendimentos de homens e mulheres, os dados evidenciam a desigualdade existente no mercado de trabalho das seis regiões pesquisadas. De maneira sintética, os principais aspectos a serem destacados são:



1 Os maiores diferenciais, entre ambos os sexos, do acesso às ocupações segundo níveis de qualificação e hierarquia são verificados em São Paulo e Porto Alegre, regiões onde o setor industrial e o trabalho assalariado no segmento privado têm maior peso, enquanto as menores desigualdades estão em Recife e Salvador, onde o mercado de trabalho é menos diversificado. A situação do Distrito Federal aproxima-se da registrada nas duas primeiras regiões, mas em consequência do peso do setor público; e Belo Horizonte registra pontos assemelhados aos encontrados em Salvador e Recife.

2 Quanto maior o peso das ocupações  industriais nos mercados metropolitanos, maiores são os percentuais de mulheres ocupadas no setor, bem como mais diversificadas suas funções. Com isso, as diferenças entre gêneros se reduzem. Nos mercados de trabalho metropolitanos de São Paulo e Porto Alegre, 15% das mulheres estão ocupadas na indústria, o que corresponde a, aproximadamente, 60% do percentual de homens que trabalham no setor. Já em Recife, Salvador e Distrito Federal, essa proporção entre as mulheres cai para 2% a 6% e não chega nem à metade do total de homens ocupados neste setor.

3 A crescente precariedade dos postos de trabalho é denominador comum a ambos os gêneros em todas as regiões metropolitanas, da mesma forma que as altas taxas de desemprego. Nos mercados menos estruturados (Recife e Salvador) são verificados os maiores percentuais de homens e mulheres em postos de trabalho considerados mais vulneráveis, e ocorrem as maiores diferenças entre os gêneros. Nessas duas regiões, o patamar de mulheres em situações vulneráveis está em torno de 50%, enquanto entre os homens situa-se em 35%, o que representa uma diferença acima de 14 pontos percentuais. Nas regiões de Porto Alegre e Distrito Federal, o patamar de vulnerabilidade para cada sexo é bem menor, bem como se reduz a diferença entre eles. Entre as mulheres este patamar está em torno de 35% a 36%, e entre os homens vai de 24% a 27%. Para São Paulo e Belo Horizonte verifica-se uma situação intermediária com proporções de 42% entre as mulheres e de 30% para os homens.
Em Recife e Salvador, entre 25% e 30% das mulheres estão desempregadas, enquanto para os homens estas taxas permanecem em torno de 18% e 25%. Nas demais regiões, as taxas de desemprego das mulheres, ainda que altas, caem para valores entre 18% a 23%. Porto Alegre, Recife e São Paulo registram as maiores desigualdades das taxas de desemprego de homens e mulheres, enquanto em Salvador e Belo Horizonte estão as menores diferenças. O Distrito Federal apresenta-se numa situação intermediária.
Os rendimentos também apresentam ao lado da disparidade encontrada entre os dois sexos, acentuadas diferenças interregionais.
Mulheres e homens, nas regiões metropolitanas de Recife e Salvador, têm rendimentos significativamente menores que os registrados para os trabalhadores de São Paulo e do Distrito Federal.

4 Finalmente, apesar das diferenças indicadas por este estudo, fica claro que existem denominadores comuns a ambos os gêneros, uma vez que, enquanto força de trabalho, estão inseridos em mercados marcados pela falta de oportunidades de emprego, pela desestruturação e pela crescente precariedade dos postos de trabalho ocupados.

Texto publicado no Boletim Dieese – Edição Especial Março/2006 –
A situação das mulheres em mercados de trabalho metropolitanos.